Reflexão sobre a sociedade e os seus limites

A vós, a nós, seres humanos. De corpo, iguais, quando nascemos e quando morremos. O corpo, esse, não nos distingue – é a mente que nos destaca. E são os princípios e os valores que realçam quem realmente somos, pois são eles que conduzem a nossa vida. A verdade é que são estas as diferenças que nos destroem, que desregulam o mundo, que desfazem sonhos e assassinam esperanças. Não, meus senhores, não somos iguais nas nossas mentes. Cada um de vós, de nós, tem princípios e valores distintos, crenças que nos conduzem a determinadas acções. Essas acções, contudo, nem sempre são justas.

Pergunto-me, meus senhores, como é que um ser humano, com uma tão elevada capacidade de compreensão, com uma mente tão incrivelmente elaborada, pode estar condicionado pelos seus próprios limites…? Como é que tão facilmente cede aos impulsos cruéis dos seus instintos e mesmo dos seus raciocínios malévolos, se deixa levar por tão fraca fraqueza? Como é que um ser humano pode ceder à tentação da guerra, da ganância, da crueldade, da superioridade que não tem? Pergunto-me. Pergunto-o a nós, a vós. Todos nós, de alguma forma, temos a indubitável capacidade de avaliar as consequências das nossas acções. Então, por que não o fazemos? Por que razão atendemos à racional irracionalidade da nossa espécie, quando temos a brilhante oportunidade de aceder a algo maior…? Porquê…?

Em tantos anos, nós, vós, assistimos, assististes à crueldade humana, ao seu desejo sedento de superioridade, de ganância, e à mórbida vontade de matar, de assassinar, de guerrear… e no que resultou? Num mundo pior. Seria já, caros concidadãos, tempo de aprender que a guerra nada resolve, que apenas culmina num incomportável sofrimento para nós, para vós. Seria tempo de abraçarmos a Paz, de respirarmos tranquilamente, de olharmos por nós e pelo outro… mas não. Somos incessantemente bombardeados com as balas de crenças, com os petardos das opiniões, com os mísseis da vil personalidade de alguém, alguém esse que muitos nomes tem, histórica e actualmente, e parece que, de algum modo, nos estão a iludir para entrar neste jogo da morte. Este jogo tornar-nos-á seres gananciosos, cruéis, vis, seres horripilantes, iguais a esses alguéns, líderes facínoras. Ergam-se contra essas imposições! Se acedermos e aceitarmos sempre o que os outros nos dizem, outros esses que, disfarçados de santos, podem muito bem apelar à crueldade, corremos o risco de perder o controlo das nossas vidas… e, nessa fase, o processo de recuperação pode tardar ou mesmo ser… irreversível.

Sim, é verdade que todos morremos, um dia. Todos morreremos. E, quando esse momento chegar, seremos como qualquer outro ser humano, o corpo esfriará, como todos esfriam. Ninguém, porém, quer realmente morrer, porque a ideia se lhes afigura avassaladora. Se alguém o quiser, contudo, é porque alguém, alguém com frias e desmesuradas cruéis intenções, podendo esse alguém ser o próprio ser humano, lhe transmitiu que a morte é um melhor processo do que a vida. Pois bem, não é. Com a morte, sonhos, desejos, esperanças desvanecem-se com o esfriar do nosso corpo, agora cadáver, que ninguém lhe chama corpo pelo simples facto de não se mexer. E assim ficamos nós, vós, quando morremos. E agora pergunto-vos: para quê desperdiçar a beleza que uma vida pode ter e entregá-la de bandeja à mórbida realidade que é o conflito? Sim, é verdade que o conflito existirá sempre, mas por que razão permitimos a sua escalada, a guerra, o frio, a fome, a exaustão, as condições miseráveis que dela advêm?

Pela Paz, tudo façam, pois nada se compara à complexidade da simplicidade da vivência humana tranquila.

Elisabete Martins de Oliveira

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Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.