Imóvel

O tempo pára no instante em que me deparo com a realidade diante dos meus olhos. Não é ficção, antes fosse, antes me pudesse redimir, fugir daqui, para um outro lado qualquer.

Mas os meus pés não se movem. E isto é aflitivo.

O meu corpo, petrificado, ali permanece, a minha mente voa dali para fora e observa-me como uma espectadora.  Vê-me ali, imóvel, revestida pelo medo que me deteriora, e nada faz para o mudar. Agora, é como se fôssemos duas. A minha mente abandona-me no instante em que mais necessito, no momento em que preciso de um comando de acção para sair dali.

Preciso, preciso. Mas ela não responde.

Por favor., imploro-lhe, mas ela não me escuta.

Talvez seja um conflito. Talvez o meu corpo se recuse a mexer-se perante as ordens da minha mente.

Não é fácil, e parece já ser tarde demais. As chamas alastram-se pelo verde, pela Natureza que não pediu para morrer, e eu oiço os seus gritos silenciosos, qual comunicação extra-espécie peculiar.

Fecho os olhos, sinto o vulto áspero de calor percorrer o meu corpo, a minha mente, em sintonia. Mas essa sintonia ainda não me permite mexer.

Inspiro o ar com toda a força, os meus pulmões agora contaminados, e no momento em que abro os olhos…

Elisabete Martins de Oliveira
07.04.2018

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Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.