Hoje, sentei-me e reflecti sobre o sentido da vida

Hoje, sento-me e contemplo o mar. As ondas rebentam mesmo diante de mim, com a sua admirável força, com o seu magno som povoando os meus ouvidos. Não recuo um único centímetro, uma palma de mão, um metro. Não me assusto. Assumo o mar como parte de mim. Inspiro, e sinto o sal purificar os meus pulmões. Mas há algo de misterioso no mar que me faz sentir pequena. Seremos apenas seres passageiros, sem significado? O que significa este momento? O que significa estar vivo?

Como nunca encontro respostas, permito que os pingos de água me molhem. Por vezes, sinto que ninguém tem estas respostas. Sinto-me só. O que é viver? Por que é que vivemos? E para quê? Ao contemplar a beleza deste mar, a única resposta que possuo no meu bolso é a de que vivemos para admirar a natureza. Mas seremos seres assim tão passivos? Os pingos de água encontram-se com o meu rosto, e tomo isto como um despertar. Não somos passivos, mas sim activos na procura do nosso caminho. A natureza dá-nos a inspiração para viver. Olho para o céu, e as cores do crepúsculo envolvem-me como mantas, acalentando a minha esperança neste mundo.

As estrelas vão surgindo uma a uma, como que me indicando o percurso. Levanto-me e percorro o caminho de rochas, lentamente. Os meus pés descalços percorrem a sua textura áspera. Depois, sinto uma textura mais fina. Areia. Percorro o areal em busca do caminho que as estrelas me indicam. Elas piscam, como que me relembrando para as seguir e nunca perder o seu rumo.

Subo, passo a passo, uma duna. O caminho é cansativo, e enterro os pés na areia nesta noite de lua cheia. Não deixo de apreciar o quão bela está esta noite estrelada, com a sua brisa tão leve. Oiço o mar que deixei lá ao fundo. Ao chegar ao topo da duna, os meus olhos iluminam-se com a fogueira que encontro. Contemplo-a por breves instantes, escutando o seu crepitar. Subitamente, umas pessoas aproximam-se desta, fitando-me. Um sorriso surge-me logo no rosto. Aquelas pessoas. Aqueles que eu estimo. Aqueles que eu amo.

Não estou só, e nunca estarei. Corro até àquelas pessoas que tanto significam para mim, para as presentear com o meu abraço aconchegante. O sentido da vida é este, é amar, apenas amar. As estrelas mostraram-me isso mesmo. A natureza trouxe-me até aqui.

 

Elisabete Martins de Oliveira
05.11.2018

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Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.