Mudança Pessoal

Muitas vezes, ouvimos dizer que as pessoas não mudam. Isso não é verdade. Pelo contrário, mudam várias vezes ao longo da sua vida!

Desde que nasce, a pessoa cresce, desenvolve-se, o seu cérebro vai criando sinapses que com o tempo se vão ligando a outras sinapses, consumando várias ligações que resultam num raciocínio progressivamente mais complexo. Por outras palavras, as pessoas vão tornando-se cada vez mais complexas com o passar do tempo. E isto acontece, pois todos vivenciam momentos, experiências, criando uma identidade única.

A partir destes momentos, formam-se as memórias, algumas delas marcam a identidade da pessoa. Quem sou eu? Como me descrevo? Como me vejo? são algumas questões inerentes à identidade e que estão relacionadas com o que vivemos. A forma como olhamos para nós mesmos varia com o tempo e com as experiências pelas quais passamos. Por exemplo, quem passa por um momento difícil relacionado com uma perda pode manifestar uma mudança na alegria que transmitia para uma maior tristeza, da mesma forma que uma pessoa que ganha o euromilhões pode mudar a sua postura perante o dinheiro e a sociedade.

Enquanto que as razões pelas quais mudamos possam estar relacionadas com factores sobre os quais não temos controlo (factores externos), também podem estar relacionadas com factores internos, como o desejo de mudar. Deixar de fumar, fazer uma dieta, mudar de profissão ou até de vida são alguns exemplos de mudanças incitadas por uma decisão pessoal, sobre a qual nós temos controlo. Ambos os factores estão presentes na mudança pessoal. E, claro, não nos podemos esquecer de que as prioridades mudam ao longo do tempo. Um exemplo que tenho testemunhado, sobretudo em pessoas entre os 20 e os 30 anos de idade, é o desejo (ou, quem sabe, pressão) para dar maior importância a uma vida estável – incluindo o casamento e a formação de uma família – em comparação com o viajar pelo mundo e desfrutar da vida em liberdade. Este exemplo em particular deixa-me muito curiosa, uma vez que estas mesmas pessoas tinham objectivos completamente diferentes há cinco anos atrás. Este é um típico exemplo de como as prioridades mudam e, com elas, as pessoas também. Isto mostra que, o que fomos no passado, o que somos no presente e o que podemos ser no futuro podem mudar – porque as pessoas se desenvolvem ao longo do tempo!

Existem, claro, outros factores que podem também intervir na mudança pessoal, como a resiliência, as pressões societais e a própria estrutura da personalidade da pessoa – por exemplo, a disponibilidade para sair da zona de conforto. No entanto, podemos concluir que não existe falta de motivos para a mudança pessoal ocorrer.

Com isto, conclui-se que as pessoas mudam! Seja em relação a si mesmas, à perspectiva que têm perante o mundo, às ideologias ou às circunstâncias, as pessoas mudam ao longo do tempo, pois o ser humano é dinâmico e não estático. Por isso, sempre que mudarem, espero que o façam em consciência de que mudar é o melhor para vocês. E, claro, recordem-se que nunca estão sós na vossa mudança!

Elisabete Martins de Oliveira
29.01.2019

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Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.