Fragmentos de Memória

     Pensar que um dia nos tornaremos apenas memórias é algo que me pesa no coração. Consegues também pensar nisso? Em como, algum dia, nada mais serás do que a memória que os outros guardarão de ti?

     O que deixarás às pessoas para te recordarem? Serão os momentos, algo na tua personalidade, um acontecimento em particular? Recordar-te-ão pelo bem que fizeste, pelo amor que ofereceste sem esperar retorno, pelo carinho inigualável que mostravas? Ou será que te irão recordar com amargura, alívio, pesar? Que diferença fizeste nas suas vidas?

     Custa-me acreditar que um dia serei pó, que aquilo que eu faço agora, que estou a escrever com este lápis neste caderno, fará parte do passado. Custa-me crer que alguém, um dia, pegará nos meus cadernos e os deitará fora, e com eles o sentido da minha existência.

     Que emoções sentirão? Como se irão sentir quando eu deixar de ser uma pessoa presente e passar a ser uma recordação translúcida e distante? E quantas dessas memórias restarão?

     Pensar nisto dói-me tal como dói recordar pessoas que eu amo e que partiram. Deixaram atrás de si memórias que permanecem no tempo, mas que não representam a totalidade da pessoa. Subitamente, fico à mercê da minha memória e dos momentos que ela irá trazendo – e não da pessoa em si.

     Restarão os fragmentos de memória dos momentos, que ficaram, que tiveram significado para mim. E, quanto a isso, nada posso fazer. Terei de viver com o que restar, já que não posso viver a pessoa que partiu.

     Quando, um dia, for a minha vez, espero que as memórias dos que me rodeiam e que eu mais estimo consigam captar a minha essência, quem eu realmente sou, e que essas memórias sejam adocicadas com amor, afecto, e que tragam com elas um sorriso.

 

Elisabete Martins de Oliveira
11.09.2019

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

4 thoughts on “Fragmentos de Memória

  1. Olá, Dina!
    Muito obrigada pelas suas palavras, fico muito contente por saber que gostou do meu trabalho. Creio que é na reflexão que muitas vezes encontramos o nosso sentido no mundo. Por isso, vamos reflectir!
    Muito obrigada e um beijinho!
    Elisabete.

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  2. Parabéns, vc uma moça tão jovem e com este potencial,
    Deus a ilumine para que siga escrevendo coisas bonitas e de grande ajuda e reflexão para as pessoas. Abç

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  3. Olá, Sara! Muito obrigada pelas tuas palavras. 🙂
    Não é fácil reflectir sobre este assunto – também foi difícil para mim escrever sobre ele. E, no entanto, creio que é necessário reflectirmos sobre isto.
    Estou absolutamente de acordo contigo. Quão interessante teria sido conhecer os teus antepassados quando eram jovens! Como seriam eles? Sabes, escutar as suas histórias e experiências de vida é uma forma de perpetuar a sua memória! Eu também gosto muito de o fazer. E é o que devemos fazer ao mundo também – deixar a nossa marca, e que essa seja positiva. E aproveitar cada momento!

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  4. Gostei imenso deste post. Gosto quando os textos, livros, filmes, seja o que for, me façam refletir sobre determinado tema. Ainda não tinha pensado neste assunto desta forma, por este prisma. Já pensei na morte, claro, ter o receio de partir antes de ter conseguido concretizar tudo ou quase tudo aquilo que pretendo realizar aqui neste belo planeta.
    Este post e reflexão deixaram-me de certa forma triste e pensativa, mas é a mais dura realidade. Gosto tanto de ouvir histórias de antepassados meus, por parte de familiares ainda vivos, no entanto, a verdade é que não passam apenas disso, memórias, histórias. Quão interessante teria sido conhecê-los enquanto pessoas, conhecer as suas personalidades, os seus trabalhos?… As ideias, sonhos e formas de ser de outrora acabam por se dissipar no tempo…

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