6 formas que me ajudaram a sobreviver às saudades de casa – e que te podem ajudar a ti!

Estar longe de casa é, por si só, uma experiência desafiante – já o é mudar apenas de cidade, quanto mais de país! O que nos era tão familiar desaparece para dar lugar à novidade, à unicidade de um novo lugar.

E tudo isto é positivo – a descoberta, a adaptação, a singularidade que um novo lugar e cultura nos trazem – mas também traz as suas complicações. Eu admito-o abertamente, sou uma emigrante nostálgica, e que sente muitas saudades do seu quente e luminoso Portugal, que fala a língua do seu coração e cujas pessoas têm no seu âmago uma necessidade de acarinhar e cuidar. Para mim, é difícil estar longe da minha família, dos meus amigos, de tudo o que conheço.

Mais difícil se torna quando a distância física se agiganta – uma coisa é estar em Espanha, outra, é na Austrália. Eu não vivi (ainda) em nenhum destes países, mas vivi três anos em Inglaterra e, mais recentemente, mudei-me para a Suécia – e, se os milhares de quilómetros que me separavam de Portugal, em Inglaterra, eram assustadores, aqui, aterrorizam-me. A distância pode ser francamente intimidador.

O meu companheiro foi absolutamente incrível em todas as adaptações que fiz. Não posso agradecer-lhe o suficiente por tudo o que fez e faz por mim, no quanto me ajuda a mitigar as saudades de casa. Claro que ajuda ele ser Português!

A distância continua, no entanto, a apresentar os seus desafios. E, com já duas adaptações de emigrante no bolso, quero partilhar contigo 6 formas que me ajudaram a superar a dor de estar longe e das saudades de casa:

  1. Decorei o meu espaço com artigos que me fazem lembrar de Portugal – Quando me instalei na primeira casa em que vivi em Inglaterra, achei-a estranha, apesar de bonita e mobilada. Não me sentia em casa naquele lugar, pois achava-o muito diferente (até arquitetonicamente) de tudo o que conhecera até então. Quando coloquei, na sala e, depois, no meu escritório, molduras com fotografias da minha família, bem como um barquinho de Sesimbra, que tinha comprado no Cabo Espichel, o espaço tornou-se mais confortável, e dei por mim a sorrir sempre que olhava para estes artigos. São pequenas coisas, mas que nos enchem o coração ao fim de um dia.

  1. Criei a minha própria rotina – Pode parecer algo óbvio, mas, para mim, criar e até perpetuar alguns hábitos que tinha em Portugal, como ler à noite e comer uma bolacha à tarde, foram fulcrais para que me sentisse confortável num espaço que não era o meu. Manter os meus hábitos de escrita e continuar a escrever os meus livros ajudou-me muito a manter o meu propósito vivo e inabalável, mesmo num país que não falava a minha língua materna. As rotinas proporcionam-nos segurança em momentos de incerteza – e podem ser adaptadas com novos hábitos!

  1. Mantive o contacto com quem mais estimo – Quando me mudei para o estrangeiro, senti que, embora estivesse com o meu companheiro, estava só. Não conhecia ninguém, não tinha amigos e as relações que formava no trabalho eram superficiais e efémeras. Dizia muitas vezes que só nos tínhamos um ao outro, e era verdade. Ajudou-me muito ter o WhatsApp, por onde falava com a minha família e amigos mais próximos. Para ser franca, senti que certas relações de amizade se fortificaram com a minha saída do país – e esses laços foram (e são) fundamentais para me manter feliz!

  1. Procurei adaptar-me ao país que me acolheu – Isto é muito importante. O isolamento não é uma escolha saudável, e senti que conhecer pessoas em Inglaterra, nos mais diversos contextos, me ajudou a fazer parte da comunidade, compreender os seus costumes, as suas visões, enfim, a sua cultura. É o que também farei aqui na Suécia. A falta de informação é assustadora, e conhecer retira as incertezas conforta-nos. É por isso que aconselho a qualquer emigrante envolver-se um pouco na comunidade do lugar onde está, e esforçar-se por fazer amizades – que podem vir a ser para a vida!

  1. Fiz visitas frequentes a casa – Isto nem sempre é possível, sobretudo porque, em alguns países, as viagens são muito caras. Eu tinha sorte, porque a Ryanair fazia voos diretos para Portugal a preços irrisórios, e por isso visitava a minha família e amigos com frequência, o que era sempre recompensador. Regressar a casa depois de longos meses sem ver quem mais estimo enche-me o coração de uma maneira que não consigo explicar. Os abraços e o calor da ternura são momentos de verdadeiro amor e carinho.

  1. Entreguei-me ao meu trabalho de coração – Considero este fator muito importante. Durante os meus primeiros anos como emigrante em Inglaterra, fiz trabalhos de que não gostava – o que não aconselho a ninguém –, mas este cenário mudou quando, no início deste ano, me comecei a dedicar a 100% ao meu projeto. Entregarmo-nos a um trabalho que amamos de coração ajuda-nos a superar momentos difíceis, como o estar longe de casa. Não posso deixar de frisar a importância que isto tem na minha sanidade mental. O meu projeto, que envolve estar em contacto com a minha verdadeira paixão profissional – a escrita criativa – manteve-me focada nos meus objetivos e nas metas que quero atingir no futuro. O meu trabalho é um oásis quando a saudade aperta.

Estas foram as seis formas que me ajudaram a superar as saudades de casa, quando elas mais se intensificaram. É importante que nunca nos esqueçamos de quem somos, mas que também estejamos abertos à mudança e à descoberta que implica entrar num país estrangeiro.

E tu, conheces mais formas de lidar com o estar longe de casa?

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Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

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