Fazer amigos na idade adulta

Quando andávamos na escola, ou mesmo na Universidade, era fácil, para nós, fazer amigos: partilhávamos o mesmo espaço, as mesmas atividades e até as mesmas turmas. Não digo que o processo fosse sempre simples, pois os amigos verdadeiros contam-se pelos dedos de uma mão. Contudo, era um processo natural, incitado pela presença num mesmo espaço com pessoas das nossas idades.

À medida que o tempo passa, vamo-nos tornando cada vez mais seletivos quanto à escolha de pessoas que queremos ter como amigos – afinal, todos tivemos na nossa infância e adolescência uma dose dolorosa de experiências relacionadas com amigos falsos, cinismo, hipocrisia, inveja, bullying e  “facadas nas costas”. Desta forma, a seleção passa por uma espécie de avaliação inicial da nossa parte e, como se a pessoa fosse um artigo a ser revisto pelo Google, baseamo-nos nas avaliações que os outros lhe dão.

E o que achar de tudo isto? Eu acredito que nós desenvolvemos – e ativamos – certos mecanismos de defesa que nos ajudam a defender-nos de possíveis ameaças de amigos. E isto faz parte do nosso desenvolvimento enquanto pessoas! Não existe mal nenhum em ser um pouco apreensivo a início, desde que tal não se torne patológico.

As amizades desenrolam-se com o tempo e com a construção da confiança, que é fulcral. Começamos a fazer isto de uma forma mais consciente à medida que nos vamos tornando mais velhos. E é por isso que o nosso número de amigos vai decrescendo com o tempo – a verdade é que vamos alimentando cada vez mais amizades que, em princípio, irão durar para a vida toda, e atribuindo menos importância a novas. Este processo vai começando no Secundário e estendendo-se até à Universidade, e continua depois daí.

Mas o que acontece quando deixamos de ter a base da partilha do espaço, das atividades e da turma? Se repararmos, o número de amigos não só vai decrescendo, como também se vai tornando cada vez mais difícil fazer amigos. Este é um facto. Deixamos de ter uma “desculpa” para abordar as pessoas, porque não as conhecemos de todo – a menos que nos encontremos num espaço de partilha, como um bar ou uma discoteca. Porém, este cenário não deixa de ser estranho – embora tentemos adivinhar, nem sempre acertamos na idade da pessoa nem no seu contexto de vida.

É nestas circunstâncias que o mundo digital tem vindo a ganhar maior ênfase. Vivemos numa era que nos permite conhecer novas pessoas com apenas um clique – um Seguir ou um Pedido de amizade, ou mesmo um Conectar. A internet tem-nos trazido algo que era difícil juntar sem a sua existência: a união de pessoas e formação de grupos de acordo com interesses pessoais e/ou profissionais. É incrível como podemos formar amizades com pessoas que estão geograficamente distantes de nós e partilhar – finalmente! – os nossos interesses com alguém que não revira os olhos perante os mesmos.

Quer queiramos, quer não, a distância geográfica é um fator importante a ter em conta nas amizades. Se partirmos do nosso país de origem ou se nos mudarmos de cidade, as amizades correm o risco de esmorecer – e sim, isto é muito triste. No entanto, o mundo digital permite-nos conversar com as pessoas de quem gostamos e, muitas vezes, previne até que a saudade se acumule a um ponto em que vai estoirar!

Fazer amigos na idade adulta? Sim, é difícil, sem dúvida. Deixando de ter a partilha de um estabelecimento como a escola ou a universidade – ou mesmo o local de trabalho –, o motivo para as amizades se formarem torna-se cada vez mais remoto. Todavia, é no espaço virtual da partilha de interesses, hobbies e curiosidades que novas amizades se desenvolvem, amizades essas que, provavelmente, não existiriam devido à distância geográfica! Por isso, fazer amigos é possível – a maneira como formamos essas amizades é que mudou!

Elisabete Martins de Oliveira

16.09.2020

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s