Família, Mentoria e Trabalho

Três temas de grande importância, que vou misturar num assunto que já, por várias vezes, atravessou a minha mente. Aliás, que me tem vindo a acompanhar desde há uns anos.

Penso na família como o berço da vida e da proteção. Se temos uma família que cuide de nós, nos dê carinho e afeto, e nos apoie nos nossos projetos, então não estamos sós. Temos sempre a quem recorrer se as coisas não derem certo – ou se derem também, que ainda é melhor! A família está associada a um processo de educação e aprendizagem, e daqui movemo-nos para a mentoria.

Associo à mentoria o processo de orientação, como, no fundo, uma espécie de anjo da guarda que guia e ilumina o caminho, para que não seja tão assustador. Todos nós já tivemos mentores durante o percurso da nossa vida: os nossos pais, os nossos avós, ou mesmo heróis ou heroínas reais ou fictícios/as que nos fizeram priorizar certos valores, valores esses que nos acompanham sempre. São os nossos princípios que nos caracterizam, que dão vida à nossa personalidade, que nos tornam diferentes uns dos outros – em todos os contextos da vida, inclusivé, no trabalho.

O trabalho é o que eu chamo de um salto para o mundo. É o materializar de um sonho, em que colocamos em prática as nossas competências e habilidades. Em que conhecemos pessoas que nos inspiram e motivam, que nos incentivam a fazer melhor. O trabalho realça em nós a necessidade de manifestarmos o que sabemos fazer de melhor perante o mundo. É, para muitos, o seu motivo de orgulho.

Okay, temas apresentados. Mas como os relacionamos? Tenho vindo a refletir acerca de como estes temas se interligam, e a verdade é que, invariavelmente, vou sempre parar aos avós. Os avós são, muitas vezes, os membros mais acima na hierarquia da família, os mais velhos, os que têm mais sabedoria de vida. São os que orientam os mais novos, e até os da geração diretamente abaixo de si.

Tal como na família, no trabalho, as pessoas mais altas na hierarquia (ou, pelo menos, que estão acima de nós) são as que nos guiam – ou pedimos que nos guiem, quando, como eu, se trabalha por conta própria. Esse estatuto é conferido à pessoa por antiguidade ou por experiência, sendo que as duas estão relacionadas. Podemos falar de um chefe com 63 anos, da mesma forma que falamos de um de 35 com muita experiência numa determinada função ou cargo.

Ora, quando somos jovens, a mentoria é fundamental. Não o coloco de outra maneira. Aprender com os mais velhos, com quem sabe, é estar no caminho para o sucesso. São os nossos mentores que nos criam, educam e guiam, esta última, sobretudo quando as coisas ficam mais complicadas. Porém, tal não acontece apenas enquanto somos jovens – creio que, ao longo da vida, vamos passando por situações que requerem aconselhamento por parte dos outros – sobretudo de pessoas em quem confiamos.

E, aqui, regressamos aos avós. Não deixo de me perguntar se eles também precisam de mentoria, de orientação. Será que têm a resposta para (quase) tudo? Será que a experiência que acumularam durante as suas vidas é suficiente para dar resposta a todo o tipo de situações que encontram pelo caminho? Pois eu creio que não. Da mesma forma que um superior não tem todas as respostas no bolso, um avô ou uma avó também não.

E isto leva-me a pensar: então, será que necessitamos de mentoria para toda a vida? Eu apenas sei falar pelos 25 anos de experiência no mundo que tenho: há muita coisa que desconheço e, para ser sincera, o mundo é cada vez mais misterioso para mim. Claro que, ao longo da minha vivência, fui aprendendo e compreendendo melhor o funcionamento da sociedade e das pessoas. No entanto, sempre que salto para um novo desafio, sinto-me completamente desamparada, como se nada do que eu tivesse aprendido se aplicasse ali.

Dou este exemplo e aplico-o ao trabalho. Desde que comecei a trabalhar por conta própria, comecei a “apalpar terreno”, a trabalhar uma marca pessoal, a explorar o mundo digital e a gerir toda uma série de tarefas sozinha. E é assim que me sinto: desamparada, sem mãos a medir. Nestes momentos, só quero pedir ajuda. Quero um mentor! Quero que alguém me oriente no meio de tanta escuridão – e eu, sem lanterna, apenas a guiar-me pelos ecos da minha voz!

Supostamente – sim, supostamente – sou adulta. Não deveria já saber como proceder em situações novas? Não terão 25 anos sido suficientes para eu aprender a desenvencilhar-me sozinha? Não. Em situações tão difíceis e que testam todos os nervos, como criar um projeto de raiz, ainda me sinto uma criança que precisa dos pais e dos avós, os eternos mentores de vida. Preciso também de procurar mentores desta área, que tenham experiência no ramo, que conheçam o mercado e me ajudem, a pouco e pouco, a desbravar este caminho desconhecido mas que me dá tanto gozo percorrer.

Elisabete Martins de Oliveira

28.10.2020

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

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