Mantém o equilíbrio

Tenho andado a refletir sobre equilíbrios – sobre como eles são necessários nas nossas vidas. Parece óbvio, não é? Então, porque é que nos esquecemos, tantas vezes, deles?

Mais do que nunca, estes tempos de pandemia fizeram-nos voltar para nós mesmos e perceber o que nos faz feliz; o que nos satisfaz; o que nos faz falta. Compreendemos, quase como uma epifania, daquelas que nos retiram o tapete, que as relações humanas são cruciais. E, com isto, eu quero dizer que o ser humano não sobrevive sozinho.

Nós precisamos uns dos outros, da proximidade, do abraço, do afeto, do carinho, do apoio. E, por muito que as videochamadas façam maravilhas – eu sei, porque sou emigrante e já sinto isto na pele há alguns anos –, não resolvem tudo. Precisamos do toque (as pessoas são muito táteis e visuais, necessitam de ver e sentir outras não através de um ecrã, mas através do toque suave da mão, e do aconchego de um abraço). Nutrir as necessidades sociais é tão importante quanto comer, dormir e respirar.

Contudo, com as restrições em vigor, não podemos andar por aí a abraçar e a beijar aqueles que mais estimamos. É triste, e estas medidas são tão contra-natura que conduz muitas pessoas à loucura, a um grande sofrimento psicológico. Entristece-me pensar que há pessoas a viver sozinhas, distantes do afeto que uma companhia proporciona. Eu própria sofro muito com esta distância – mal posso esperar para que isto acabe.

E é com este sofrimento presente que reflito sobre a importância dos equilíbrios. Em tempos tão difíceis, em que é difícil ver a luz ao fundo do túnel, é essencial lembrarmo-nos do que nos faz feliz: é dançar? É ouvir música? É conduzir? É ler? Escrever? Eu gosto de tudo isto, talvez, excetuando, dançar – sou péssima!

Claro que o mais provável é vermo-nos desanimar ao longo dos dias, confinados em casa e às rotinas que não queremos ter. Eu sei como é difícil. Eu não gosto nem um bocadinho que me privem das minhas liberdades (talvez porque também tenha nascido no Dia da Liberdade!). E não há problema em nos sentirmos mais em baixo – faz parte, somos humanos! Esta situação é absolutamente excecional, e nunca vivemos algo assim. No entanto, é importante termos em mente que deve haver um equilíbrio nas nossas vidas – há momentos em que nos devemos permitir ir abaixo; e há momentos para recuperarmos a energia com coisas que nos deixam felizes!

Vou dar um exemplo – na pen de música que uso no carro, ouço músicas dos Smashing Pumpkins e dos Twelve Foot Ninja, que são, ambas, bandas de Rock; no entanto, por vezes, preciso de ouvir Alex Turner a cantar a solo, ou Billie Eilish, que são músicos Pop. Se é diferente? Ui! Se é! Mas essa mudança desperta uma outra faceta minha, e eu começo a dançar (repito que sou péssima a dançar, mas preciso de libertar energia negativa).

O mesmo acontece com a literatura: depois de ler um livro que me arrebatou ao nível emocional, eu preciso de “respirar” e ler uma história “mais leve”. E o mesmo acontece com séries e filmes, e com a minha alimentação! O equilíbrio é fundamental para me manter sã.

Nestes tempos atípicos que estamos a viver, é importante mantermos o equilíbrio nas nossas vidas. Na prática, isto significa que nos devemos permitir ir abaixo – isso mesmo, desiludirmo-nos, chatearmo-nos com o mundo e com esta cabrita de pandemia! –, mas permitirmo-nos ser felizes, variar a nossa rotina e torná-la mais agradável. E, mais do que nunca, olha para o que verdadeiramente te realiza – não percas tempo com trabalhos chatos, que em nada contribuem para a tua felicidade. Faz o que gostas, usa os teus sonhos como o motor para a mudança e faz avançar a tua vida! Em breve, poderemos retornar à nossa normalidade.

Elisabete Martins de Oliveira

28.01.2021

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

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