Sinto-me cansada

O cansaço é daquelas coisas que chega sem aviso. Que se forma como uma bola de neve que é fustigada pelo vento, e se junta a mais neve, tornando-se cada vez maior.

Maior e mais poderosa.

Por vezes, sinto-me mais cansada, mas ignoro-o. Penso que uma noite de sono resolve tudo, que mais uma horinha de manhã me deixará revitalizada.

Mas isso não acontece.

Ao fim do dia, começo a sentir-me cada vez mais cansada, com menos energia para fazer seja o que for. É a bola de neve a enrolar-se e a agigantar-se dentro de mim.

Tenho feito sestas e exercício três vezes por semana, mas nem por isso me sinto menos cansada. Acredito que já não se trate de simples cansaço, mas de uma fadiga que – como a muitas pessoas, estou certa – começou, também, com a pandemia.

Porém, desta vez, não se trata da “fadiga pandémica”, mas sim de uma fadiga emocional. Eu tenho tantos projetos que quero concretizar que me sinto assoberbada por eles. Pelo trabalho que dão. Pelo tempo e energia que teria de ter para os conseguir concluir em tempo útil.

Eu sei que exijo muito de mim mesma. Eu sei que quero tudo para ontem, que o primeiro vídeo do Youtube já devia ter sido lançado, que o meu Projeto Incógnito (o livro que estou a escrever atualmente) já devia estar terminado, que já devia ter lido mais livros este ano. Todos estes desejos, que eu quero com todo o meu coração que se cumpram, cirandam na minha mente todos os dias, a esgotar-me a energia e a criar-me mais ansiedade.

Por muito que eu saiba que devo caminhar um passo de cada vez, a minha ambição e exigência fazem com que me sinta frustrada, desapontada comigo mesma. Eu quero fazer mais, mas não consigo.

Não consigo.

E a energia vai-se esvaindo, dia após dia, influenciando o meu sono (é irónico que, mesmo exausta, me custe a adormecer?) e as minhas rotinas. E, como sinto que, por não ter ainda cumprido os meus objetivos, sou pouco produtiva, faço poucas pausas.

Eu sei, isto é ridículo. E contraproducente.

Recuso-me a pensar, sequer, em férias. Estive em Portugal um mês e meio, e considerei que isso foi uma pausa (embora não o tenha sido, porque continuei a trabalhar). Nesta altura do campeonato, tirar férias não é uma boa ideia.

E, para adicionar ainda mais conflito a esta cabeça que já está quase no limite, eu apaixono-me rapidamente por formações que gostaria de fazer. Neste momento, a Formação de Formadores é suficiente, mas há sempre algo mais que gostaria de fazer.

Há sempre.

Eu adoro estudar, conhecer mais sobre a minha área. Se pudesse, teria formação diariamente. Todos os dias, estudo, leio, procuro avidamente conhecimento.

E o que é que falta no meio de tudo isto?

Desacelerar.

Respirar.

Parar.

Estas são palavras que têm de entrar no meu vocabulário. De nada me serve aconselhar outras pessoas a fazê-lo se eu não o faço. Eu sou humana, e sei que nem sempre consigo fazer tudo a que me proponho. No entanto, não o faço porque a minha mente e o meu corpo não o permitem. E, mesmo que permitissem, será que seria boa ideia trabalhar sem parar?

Eu sei que, embora eu conspire contra mim mesma, é fundamental que aprenda a desacelerar, a respeitar os meus ritmos, e a não querer tudo para ontem. Neste percurso, dar um passo de cada vez é a chave. Como diz o velho ditado, com o qual eu tenho de aprender (e muito!), “Devagar se vai ao longe e quem depressa caminha consome-se.” (in Dicionário de provérbios, adágios, ditados, máximas, aforismos e frases feitas, Porto Editora).

Se eu andar depressa de mais, acabarei consumida pelo meu próprio trabalho. E eu adoro o que faço, não quero que o que mais prazer na vida me dá (escrever e criar conteúdo) acabe comigo. É por isso que tenho de ouvir mais vezes o que a minha mente me tenta dizer e que eu bloqueio, por pensar que não faço o suficiente.

E tu, também te sentes cansado/a?

Elisabete Martins de Oliveira

24.02.2021

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

2 thoughts on “Sinto-me cansada

  1. Olá, Daniela,

    Muito obrigada por partilhares as tuas palavras tão sentidas. Sinto o que sentes, esta situação não está a ser nada fácil, e é difícil sermos produtivas quando a exaustão emocional se apodera de nós sem piedade.

    Tu trabalhas tanto! Eu sei que és ambiciosa, determinada, exigente (identifico-me tanto contigo), e que queres fazer mais. E eu sei que as revisões são exigentes. Embora saiba que, numa outra circunstância, tu te proporias a fazer mais, e mais e mais. No entanto, este não é o momento para isso. Eu sei que é difícil desacelerar, mas é fundamental fazê-lo agora.

    15 livros num mês? Uau. Não sei como conseguem. Mas não nos devemos comparar a outras pessoas, muito menos neste momento. Pessoas diferentes lidam com a situação de uma forma distinta. E não te sintas culpada por comprar livros – é um miminho que dás a ti mesma. 🙂 Devemos abrandar na autocrítica!

    Muito obrigada pelo teu apoio, linda. Estou a abrandar – lentamente, mas estou a fazê-lo. E, lembra-te, se quiseres sair um bocadinho de Portugal, podes sempre vir visitar-me! 😉

    Um grande beijinho!

    Gostar

  2. Revejo-me totalmente nas tuas palavras. Sinto-me muito, muito cansada. Um cansaço diferente, já quase perto de um esgotamento emocional. Trabalho, tarefas domésticas, tanta gente em casa e quase ninguém ajuda… é muito cansativo. Depois ainda me ponho a fazer revisões de texto para ganhar um extra, resultado… ainda mais exausta.
    Acabo por ter pouco tempo para ler, depois sinto-me culpada por ler pouco e continuar a comprar livros… Não tenho tempo para tentar iniciar outros projetos, e é uma bola de neve de frustração.
    Depois vejo tantas pessoas a fazer mil e uma coisas e a ler 15 livros por mês e penso “porque é que eu não consigo?”. 😦

    Acho que sim, é cansaço de toda esta situação, do confinamento (que para mim nunca foi confinamento porque trabalho na mesma), da pandemia, de não poder estar com amigas e com o namorado. No meu caso, preciso mesmo de férias. Mas tem de ser férias longe de casa.

    Resta-me dizer que estou solidária contigo e que te desejo muita força. Tenta não exigir tanto de ti. Se não conseguires fazer 10 tarefas num dia, fazes 8, mas não te sintas culpada por isso.

    Um beijinho,
    Daniela

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