Um ano de projeto profissional a tempo inteiro

Um ano… ainda é difícil assimilar esta informação. Parece que passou tão rápido! E, ainda assim, foi um ano de grandes aprendizagens.

Não me lembro ao certo de quando comecei a investir a tempo inteiro no meu projeto profissional. Sei, no entanto, que foi em meados de fevereiro de 2020 – agora, se foi a dia 16, 17 ou 18, já não me recordo! Recordo-me, sim, que terminei o meu contrato com a última empresa para a qual trabalhei por conta de outrem no final de janeiro, no dia 25. E também me recordo de ir de férias com a família do meu companheiro para a República Checa, para umas semanas de esqui.

Mas, nessa altura, eu andava inquieta. Estava a ter a oportunidade de uma vida, e só queria pegar em tudo o que fosse livros, revistas de Escrita e cursos. Estava sedenta de conhecimento. E não, isso ainda não mudou! Continuo a adorar aprender e saber mais acerca da minha área. E, então, em vez de ir esquiar – no qual eu sou péssima! –, eu ficava, por vezes, em casa, a ler as minhas Writing Magazine e a tirar notas, e a conhecer melhor o Instagram, que eu tinha criado no ano anterior já com este objetivo em vista.

Mal regressámos a Inglaterra, eu delineei o meu dia-a-dia, com todas as tarefas definidas ao pormenor. Acordava feliz, e ia-me deitar cheia de ideias. Eu estava finalmente a viver o meu sonho, e sentia-me grata, muito grata.

Foi durante o ano de 2020 que reescrevi um livro, o meu Volume II, da minha trilogia, em seis meses. Nunca teria terminado este projeto literário neste tempo se não me dedicasse a 100% ao meu projeto profissional. Como forma de comparação, costumo trazer o exemplo do Volume I, que demorei 10 anos a escrever. 10 anos! Este é o resultado do desalinhamento, da procura de algo mais que não era, nem nunca virá a ser, o meu propósito. Ou, pelo menos, que eu não acredito que o venha a ser.

Porém, durante o ano passado, não reescrevi apenas o Volume II. Foi também neste ano que decidi participar, pela primeira vez, no NaNoWriMo (National Novel Writing Month, um desafio anual que decorre durante o mês de novembro todos os anos)! E tive a sorte de estar integrada num grupo maravilhoso de jovens escritoras Portuguesas no Instagram, que estavam a participar também. O desafio, escrever um livro num mês – ou 50.000 palavras, completando uma meta diária de cerca de 1.667 palavras por dia – é desafiante, e leva-nos à exaustão, sobretudo a meio do mês. Estamos a falar de um nível de escrita diária tão exigente que inclui fins-de-semana e feriados (se os houver).

Para quem ainda não tem rotinas de escrita e não participa com amigos num desafio tão grande como este, pode ser bastante frustrante. Ter amigos que nos motivam e que, sobretudo, compreendem as nossas frustrações e as partilham, ajuda-nos a superar os momentos mais difíceis.

Consegui terminar o desafio das 50.000 palavras ainda antes do final do mês! Nunca pensei que fosse capaz – eu adorava a ideia de conseguir terminar o desafio à primeira, mas não estava segura de que o conseguisse mesmo. Foi devido à minha persistência e à companhia incrível das meninas que também estavam a participar que o consegui! E a experiência vai ficar, para sempre, na minha memória. Se quiseres saber mais do NaNoWrimo, visita o site oficial: https://nanowrimo.org/.

Ora, mas o que é que eu andei a fazer durante este mês de novembro de 2020? A escrever um livro, claro! Eu já estava a escrever um livro antes do NaNoWriMo, pelo que, quando chegou o momento de dar um título ao meu projeto, eu chamei-lhe “História da Arquiteta + Projeto Incógnito”. Estes são dois projetos literários independentes que eu queria (muito) escrever. Então, desafiei-me (como se o NaNoWriMo não bastasse!) a escrever o segundo se terminasse o primeiro. E foi com surpresa que, na terceira semana, escrevi a última palavra da “História da Arquiteta”! Estava exultante. Uma história cuja ideia andava a cirandar na minha cabeça desde 2016! E terminei-a assim, num sopro. Em três meses e meio!

Por esta altura, já estava esgotada. Mas o desafio das 50.000 palavras ainda não tinha terminado! Então, o que fiz? O óbvio: puxei os últimos cavalos que me restavam. E comecei a escrever as primeiras palavras do “Projeto Incógnito”. E que livro duro!

Terminei o NaNoWriMo exausta. E as meninas também. No entanto, ver o vídeo de Parabéns por parte da equipa do NaNoWriMo deixou-me o coração quentinho. Estava tão feliz! Depois de tanto esforço, receber aquele vídeo congratulatório quase me levou lágrimas aos olhos. O NaNoWriMo é muito mais do que um desafio – é a concretização de um sonho.

Depois de novembro, continuei a trabalhar no Projeto Incógnito, e é nele que estou a trabalhar neste momento. É um livro muito complexo de escrever, pois, nele, abordo temáticas que são, para mim, atrozes, cruéis, indizíveis, até. Como os meus livros são centrados no sofrimento humano, eu sofro em conjunto com os meus personagens. Afinal, nós, escritores, é que os criamos e tornamos estas situações reais no mundo da ficção. E este processo, ao passo que é fantástico, é, também, doloroso.

Durante o ano de 2020, escrevi dois livros e meio! Nunca consegui um resultado semelhante em toda a minha vida. E este foi um ano muito difícil, de muita ansiedade, em que me questionei se o que estava a fazer era certo. Foi no ano de 2020 que rebentou uma pandemia que mudou todos os nossos planos, expectativas e o modo como vivemos.

No início, tinha medo. E, hoje, ainda tenho. Mas há uma diferença: hoje, tenho mais clareza quanto ao que quero fazer – que projetos quero desenvolver, com quem quero trabalhar, e em que contextos.

Apesar dos desafios, eu queria – e quero – que o meu projeto profissional resultasse. E, por isso, escrevi como nunca – pratiquei a escrita livre, dediquei-me aos meus projetos literários, escrevi contos, poemas, reflexões, e criei um novo formato para o meu site, os artigos de opinião. Foi também neste ano que decidi escrever 100 dicas de Escrita Criativa, que vou publicando regularmente nas minhas páginas de Instagram e Facebook e no site.

E, por falar em redes sociais, passar a gerir várias foi complexo a início. A exposição, as publicações mais frequentes e orientadas para o meu projeto, a gestão dos comentários e das mensagens… tive de aprender a gerir todo um novo mundo que, até então, me era desconhecido. E foi uma aventura! No entanto, hoje, é tudo mais fácil. E tudo porque aprendi!

E aprender foi, talvez, a palavra que mais caracteriza este primeiro ano de projeto profissional. Sedenta de conhecimento como sou, participei em diversos cursos e workshops. Escrita Criativa, Marca Pessoal, Comunicação, Marketing, Fotografia … já perdi a conta a todas as formações em que participei. Mas o número não importa. O que importa, verdadeiramente, são os horizontes que estes cursos me abriram. Quantas possibilidades existem numa simples aprendizagem? Eu sou uma eterna curiosa, fico fascinada com os avanços das áreas e das possibilidades que elas trazem consigo. O mundo é fascinante!

Se estou exausta? Se estou! Foi um ano de um ritmo alucinante, sem, praticamente, férias, a gerir todo um projeto que é maior do que eu. Um ano que testou todos os meus limites, mas que me deixou tão grata e tão realizada que me deixou feliz. Feliz. Nunca fui tão feliz a trabalhar como agora. Sinto que estou no caminho certo. E, quando estamos alinhados com o nosso propósito, a vida começa a fazer mais sentido.

Tive a sorte (e sou tão grata por isso!) de ter a minha família e amigos mais próximos do meu lado, que me apoiam incondicionalmente e me incentivam a fazer mais e melhor (o meu círculo de influência é composto por pessoas tão ou mais exigentes do que eu). Perdi pessoas pelo caminho, por inveja ou por motivos que desconheço. E doeu. No entanto, é nestes momentos que percebemos quem nos quer bem e quem não quer. E está tudo bem! Muitas das vezes, somos mais resilientes do que pensamos!

Agora, que 2021 corre, vou lançar algumas surpresas que resultaram de todas estas aprendizagens. Sinto-me exausta, mas também grata. Como já diz o provérbio “Quem corre por gosto, não cansa.”! E eu corro por gosto, ai se corro! Continuo a ser a mesma curiosa, e continuo em formação. Adoro aprender! No entanto, se há coisa que aprendi em 2020, é que desacelerar é importante. A nossa saúde mental é mais importante do que qualquer trabalho. E, se eu não me sentir bem, o meu projeto não sobrevive. Para ele continuar a viver, eu preciso de cuidar de mim.

Gratidão, alegria, autorrealização, é tudo o que sinto! Que este ano seja incrível, para mim e para ti!

Elisabete Martins de Oliveira

10.03.2021

Publicado por

Nascida no dia da Liberdade, trago-a comigo na mente todos os dias. Sou companheira da Natureza, da sua simplicidade e complexidade, e aprecio o seu silêncio e os seus tão magnos sons – especialmente os do Mar. Tenho um encanto pela Música, pela inspiração que me traz para todos os momentos da minha vida. Sou apaixonada por viagens e autocaravanas, e por tudo o que o mundo me pode ensinar. E sou amante da Escrita, aquilo que me define, o mais incrível e deslumbrante modo de vida que consigo conceber.

2 thoughts on “Um ano de projeto profissional a tempo inteiro

  1. Olá, querida Daniela,

    Muito obrigada! É verdade, é muito trabalho, mas eu adoro cada momento do meu projeto. 🙂 Sou grata por ele.

    Estou tão feliz por te ter conhecido – és uma pessoa incrível, com sonhos maravilhosos que eu espero, do fundo do meu coração, que cumpras. Eu sei que, assim que alinhares o teu propósito com a ação, vais sentir magia. Felicidade. Autorrealização. Leva o teu tempo, sonha, e concretiza! Quero celebrar as tuas conquistas contigo!

    Grata por todo o teu apoio.

    Um grande beijinho,
    Elisabete.

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  2. Fico tão, mas tão contente por ti, querida Elisabete! Não vou dizer que tens sorte por estares a fazer algo que adoras, porque não é sorte, é fruto de muito trabalho. 🙂
    Eu ainda não estou nessa fase, ainda não encontrei o meu propósito, ainda não sou feliz a fazer o que faço. Acho que cada um de nós tem de descobrir isso a seu tempo. Sei que preciso de algumas mudanças e de cuidar de mim primeiro, descansar. Talvez depois comece tudo a tornar-se mais claro.

    Já sabes que estarei aqui a acompanhar todas as tuas novidades, a participar sempre que puder e, claro, a aprender contigo. 😀
    Um grande beijinho,
    Daniela

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